Rio
Como pode ser tão quente?
Tudo que fazemos só piora a situação.
Não se pode definir o que acontece. Toda a luz e todo o calor, intensos como nunca.
É verão, e Rio.
Da sentença que se anuncia; severa e discreta, sem barreiras.
Talvez fosse melhor viver a escrita de coisas não profanas, tão humanas.
O que eu profano?
Rio.
Do que acontece, ou do que não; tudo passa. E aqui tudo se passa.
Chorar não me levaria a nada não é mesmo?
segunda-feira, 3 de março de 2008
Acontece que senti.
Não pude evitar. Nem sequer procurei esse sentimento em mim.
Fui invadida como quem tem sua casa tomada pelo fogo. Tão rápido, e tão intenso, que nem pensar, ou tentar entender.
Assim como veio, se foi; como o fogo se vai quando já está tudo em cinzas.
O pó escuro que toma a casa, não pode esconder as brasas que ainda vivem, e o que resta dos objetos que se extinguem por meio dessa aventura dão, neste exato momento, seu último suspiro.
Não pude evitar. Nem sequer procurei esse sentimento em mim.
Fui invadida como quem tem sua casa tomada pelo fogo. Tão rápido, e tão intenso, que nem pensar, ou tentar entender.
Assim como veio, se foi; como o fogo se vai quando já está tudo em cinzas.
O pó escuro que toma a casa, não pode esconder as brasas que ainda vivem, e o que resta dos objetos que se extinguem por meio dessa aventura dão, neste exato momento, seu último suspiro.
Onde estão os vícios?
Adoeci. Tento parar.
Agora, em casa, posso me soltar, e prender os cabelos. Ninguém me vê, não preciso manter nada. Nenhuma aparência ou penteado. Nada.
Um monte de seres humanos, que querem ser alguma coisa. Já são seres oras. O que lhes falta? O que nos falta?
É como se por algum motivo tivesse eu que ser algo, não desejar algo. Tento. Finjo. Não é isso? O que diz o protocolo, ou o contrato que assinei ao nascer? Sem ler! Eu nem sabia! Foi alguém que assinou por mim, que escreveu meu nome ali, e que eu desconhecia. Ensinou-me a ser assim, ou pelo menos parte do que é de mim.
Não quero mais rimas. Já ouvi muito, e falei demais, vi coisas, e senti.
Longe de mim qualquer sentimento agora! Por favor.
Quem será que pode me dar isso, o nada? Queria o vazio, a indiferença pra te presentear. Mas não tenho.
Quando te vejo, te sinto, sou tomada por isso.
E finjo, que não. De novo, não é o que diz o velho protocolo? O contrato, que assinamos ao escolher?
Escolher qualquer coisa. E você bem sabe que essas são as piores, as coisas quaisquer. Por que não são tão nada, e nem são tudo. Não estão bem definidas e tampouco se desfazem assim, sem solventes.
São Coisas, as causas quaisquer por que você luta, ou por que sonha, são enfim onde se escondem nossos vícios.
Adoeci. Tento parar.
Agora, em casa, posso me soltar, e prender os cabelos. Ninguém me vê, não preciso manter nada. Nenhuma aparência ou penteado. Nada.
Um monte de seres humanos, que querem ser alguma coisa. Já são seres oras. O que lhes falta? O que nos falta?
É como se por algum motivo tivesse eu que ser algo, não desejar algo. Tento. Finjo. Não é isso? O que diz o protocolo, ou o contrato que assinei ao nascer? Sem ler! Eu nem sabia! Foi alguém que assinou por mim, que escreveu meu nome ali, e que eu desconhecia. Ensinou-me a ser assim, ou pelo menos parte do que é de mim.
Não quero mais rimas. Já ouvi muito, e falei demais, vi coisas, e senti.
Longe de mim qualquer sentimento agora! Por favor.
Quem será que pode me dar isso, o nada? Queria o vazio, a indiferença pra te presentear. Mas não tenho.
Quando te vejo, te sinto, sou tomada por isso.
E finjo, que não. De novo, não é o que diz o velho protocolo? O contrato, que assinamos ao escolher?
Escolher qualquer coisa. E você bem sabe que essas são as piores, as coisas quaisquer. Por que não são tão nada, e nem são tudo. Não estão bem definidas e tampouco se desfazem assim, sem solventes.
São Coisas, as causas quaisquer por que você luta, ou por que sonha, são enfim onde se escondem nossos vícios.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Who's Blue Now?(Paul Mertz)
Who's blue now?
You ought to know;
You made me go.
Who's blue now?
You ought to say,
You had your way.
You drifted far apart from me;
You didn't care;
You took the very heart from me,
You didn't spare me.
Who's saying,
"Oh, what a break! What a mistake!"
Who's paying With many a heartache?
Hate you, I don't,
Love you I won't,
Now that I'm through,
Who's blue now?
Nobody but you!
domingo, 3 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
NOVO.
Como se fizesse alguma diferença, ela tentou não se deixar levar. É claro, não conseguiu. Assim como claros são os dias de sol que seguem dias chuvosos, era claro que ela não conseguiria. A embriaguez daquela noite a conduzia em um mar de agitadas correntezas... Sentia ventos desconhecidos, mas se sentia forte e acreditava velejar precisa como nunca. Nada a impediria, precisava daquilo. Com um hedonismo sutil e um egoísmo afiado ela percorria a noite navegando em sí.
Palavras sem valor e olhares curiosos. Ela se jogava, e caía, não tinha medo. Lastimava-se, queixava-se; era o calor que tomava seu corpo quente. Preferiu se poupar, retirou se a tranquilidade de seu sono. Deixou-se levar pelos sonhos; sem controle que são, são de fato, indefesos.
Na manhã seguinte, não pôde se lembrar do piloto que havia conduzido sua navetáxi a sua casa, nem tampouco o momento feliz em que entrara em seu doce refúgio, mas horas depois, apenas despertou, sã e salva em sua calma cama.
Salva? Creio que não. Não poderia salvar-se de sí mesma, e nem das lembranças que chegavam ao porto ao longo do dia.
Perdida em fatos que se viam confusos e difusos em névoas do esquecimento, esperava que o dia corresse, sem altas expectativas. Talvez curiosa. Sim. Ela estava. Queria de fato enxergar os peixes e criaturas que havia despertado na noite anterior.
Em sua nova rota, sentia-se inerte aos movimentos de seu barco, o dia lhe parecia sereno e sem vida. Correu como corre qualquer outro, sem tempestades e sem canto de mágicas sereias. Mas é claro, com a noite que chega, a maresia a banha num novo perfume, e de fato em outras cores, novas, e repetidas, possível?
E não tem a cada mordida um novo sabor as maçãs? Novidades são antigas como o tempo, e ficam antigas com o tempo, ainda assim, pra nós, seres de curta memória, são novas, de tempos em tempos.
Sabia ela que nada seria tão diferente se comparado a outras tantas noites de partidas sem rumo, porém, tinha que desbravar aquele já percorrido caminho. Recebera uma novidade já antiga pelo seu comunicador celular, e se propusera então a descobrir aquele corpo mais uma vez.
Tudo como ela já havia feito, e de novo nada, mas ela assim o sentia: novo. Era nova a circunstância não era?Então por que se afogar na velha mesmisse, se tudo pode ser diferente a cada nova tentativa? Nada será "de novo". E então não se trata disso,a vida? Assim como o dia, que traz o mesmo Sol, mas é novo a cada dia, será aquele oceano um novo, a cada nova partida.
Como se fizesse alguma diferença, ela tentou não se deixar levar. É claro, não conseguiu. Assim como claros são os dias de sol que seguem dias chuvosos, era claro que ela não conseguiria. A embriaguez daquela noite a conduzia em um mar de agitadas correntezas... Sentia ventos desconhecidos, mas se sentia forte e acreditava velejar precisa como nunca. Nada a impediria, precisava daquilo. Com um hedonismo sutil e um egoísmo afiado ela percorria a noite navegando em sí.
Palavras sem valor e olhares curiosos. Ela se jogava, e caía, não tinha medo. Lastimava-se, queixava-se; era o calor que tomava seu corpo quente. Preferiu se poupar, retirou se a tranquilidade de seu sono. Deixou-se levar pelos sonhos; sem controle que são, são de fato, indefesos.
Na manhã seguinte, não pôde se lembrar do piloto que havia conduzido sua navetáxi a sua casa, nem tampouco o momento feliz em que entrara em seu doce refúgio, mas horas depois, apenas despertou, sã e salva em sua calma cama.
Salva? Creio que não. Não poderia salvar-se de sí mesma, e nem das lembranças que chegavam ao porto ao longo do dia.
Perdida em fatos que se viam confusos e difusos em névoas do esquecimento, esperava que o dia corresse, sem altas expectativas. Talvez curiosa. Sim. Ela estava. Queria de fato enxergar os peixes e criaturas que havia despertado na noite anterior.
Em sua nova rota, sentia-se inerte aos movimentos de seu barco, o dia lhe parecia sereno e sem vida. Correu como corre qualquer outro, sem tempestades e sem canto de mágicas sereias. Mas é claro, com a noite que chega, a maresia a banha num novo perfume, e de fato em outras cores, novas, e repetidas, possível?
E não tem a cada mordida um novo sabor as maçãs? Novidades são antigas como o tempo, e ficam antigas com o tempo, ainda assim, pra nós, seres de curta memória, são novas, de tempos em tempos.
Sabia ela que nada seria tão diferente se comparado a outras tantas noites de partidas sem rumo, porém, tinha que desbravar aquele já percorrido caminho. Recebera uma novidade já antiga pelo seu comunicador celular, e se propusera então a descobrir aquele corpo mais uma vez.
Tudo como ela já havia feito, e de novo nada, mas ela assim o sentia: novo. Era nova a circunstância não era?Então por que se afogar na velha mesmisse, se tudo pode ser diferente a cada nova tentativa? Nada será "de novo". E então não se trata disso,a vida? Assim como o dia, que traz o mesmo Sol, mas é novo a cada dia, será aquele oceano um novo, a cada nova partida.
Assinar:
Postagens (Atom)


